Premiê britânico redobra aposta sobre a saída do Reino Unido da União Europeia

O governo britânico ordenou, neste domingo (18), que seja revogada em 31 de outubro uma lei de 1972 que estabeleceu a adesão do Reino Unido à União Europeia (UE).

O anúncio foi feito no momento em que o primeiro-ministro Boris Johnson se prepara para viajar para Alemanha e França nesta semana. Ele se reúne com a chanceler alemã, Angela Merkel, na quarta (21), e com o presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris, na quinta (22).

A escolha do dia da revogação da lei não é ao acaso. Esta foi a data anunciada para a conclusão do Brexit – após ser duas vezes adiado – e também é a data limite prometida por Boris Johnson para deixar a UE, com ou sem acordo de saída.

“Este é um sinal claro para os cidadãos deste país: deixaremos a UE como prometido em 31 de outubro, independentemente das circunstâncias”, disse o ministro responsável pelo Brexit, Stephen Barclay, em um comunicado.

A decisão é acima de tudo simbólica, segundo Maddy Thimont Jack, do centro de análise política “Instituto de Governo”, já que é um procedimento formal que “pode ser feito no último minuto”.

Oposição quer convocação do Parlamento

O anúncio da revogação foi feito depois de ser publicada, neste domingo, uma carta assinada por mais 100 parlamentares. Nela, o grupo pede a Johnson que convoque imediatamente o Legislativo, interrompendo o recesso previsto para até 3 de setembro. Os signatários pedem que a Casa entre em sessão permanente até 31 de outubro.

“Nosso país está à beira de uma crise econômica, enquanto nos dirigimos para um Brexit sem acordo”, afirmam.

“Estamos diante de uma emergência nacional, e o Parlamento deve ser convocado imediatamente”, acrescentam.

Jeremy Corbyn, líder do Partido Trabalhista, principal força da oposição, quer organizar uma moção de desconfiança contra o conservador Boris Johnson quando o Parlamento retomar os trabalhos.

“Precisamos é de um governo que esteja pronto para negociar com a União Europeia, para que não tenhamos uma saída catastrófica em 31 de outubro”, disse Corbyn no sábado.

Se conseguir derrubar Johnson, Corbyn espera se tornar chefe de governo interino. Seu objetivo é buscar um novo adiamento da data de saída da UE para evitar um Brexit sem acordo e, finalmente, convocar eleições antecipadas. O governo de Johnson dispõe de uma maioria de apenas um voto no Parlamento.

Brexit sem acordo

No caso de um Brexit sem acordo, o Reino Unido enfrenta o risco de escassez de alimentos, gás e remédios, bloqueios de portos e o retorno de uma fronteira entre a República da Irlanda e a província britância da Irlanda do Norte, aponta um relatório do governo divulgado pelo jornal “The Sunday Times”.

Neste domingo (18), a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a Alemanha está preparada para uma eventual saída sem acordo do Reino Unido.

“Estamos preparados para qualquer desfecho, podemos dizer isso, mesmo que não consigamos um acordo. Mas em qualquer caso farei um esforço para encontrar soluções, até o último dia das negociações”, disse a chanceler.

Via G1

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