A carreira de Sérgio Mamberti, o eterno Dr. Victor, que faleceu nesta semana

Sérgio Mamberti, que morreu aos 82 anos de idade na madrugada desta sexta-feira (3), mostrou sua versatilidade nos 70 anos de TV no Brasil. Na pele de Dionísio, vilão de Flor do Caribe (Globo, 2013), o ator nem lembra a doçura do inventor Dr. Victor, de Castelo Rá Tim Bum, seu icônico personagem voltado ao público infantil. Um trabalho de qualidade, feito há mais de 20 anos, e que marcou tanto público e todos que dele participaram, afirma Mamberti sobre a série infantil da TV Cultura, produzida entre 1994 e 1997.

Nascido em Santos, cidade do litoral de São Paulo, ele conta que teve uma infância radiofônica e demorou a ter televisão em casa. “Quando a TV chegou ao Brasil, meu pai não se animou em ter uma. Então, eu era um televizinho”, afirmou o ator ao lembrar os 70 anos da TV no Brasil, completados em 2020. Na primeira década de TV no Brasil, nem 40% das casas tinham aparelhos de TV. Com isso, havia muitos “televizinhos”, em que vizinhos se “ofereciam” a visitar quem tinha televisores justamente em horários estratégicos para acompanhar a programação.

Mamberti demorou a fazer novelas na TV Globo — a primeira foi Brilhante, em 1981. “Eu já havia recebido convites anteriores, mas como meus filhos eram pequenos não tinha como ficar viajando ao Rio de Janeiro — moro em São Paulo”, explicou.

Embora tenha trilhado inicialmente uma carreira no teatro, ele afirma ter grande apreço pela TV. “Adoro fazer televisão. Em 1969, fiz meu pmeiro programa na TV Cultura, era uma peça de teateteatro chamada Amores e Licores”, diz. “Sem dúvida, o Dr. Victor é o meu trabalho dos tempos de TV Cultura mais lembrado e, claro, me orgulho disso.”

NOVELAS
Um dos papéis mais famosos de Sérgio Mamberti foi em Vale Tudo (Globo, 1988), quando interpretou o mordomo Eugênio. “Considero Vale Tudo a melhor novela já produzida”, afirma o ator, que também participou de tramas como As Pupilas do Senhor Reitor (Record, 1970) e Anjo Mau (Globo, 1998).

Após um período dedicado à política, entre 2002 e 2012, Flor do Caribe (Globo, 2013) marcou sua volta à TV. “Foi um convite maravilhoso. Foi um presente do Jayme Monjardim, um belo trabalho e é bom poder revê-lo”, afirma o ator. “A cultura tem o poder de fazer as pessoas pensarem, refletirem e é por isso a necessidade de uma dramaturgia forte.”

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