Reino Unido já conta com escassez de produtos em alguns supermercados

A pandemia, assim como reflexos do Brexit que envolvem de forma direta mão de obra estrangeira que conta com maiores dificuldades de trabalhar no país rendeu uma escassez de produtos em alguns supermercados britânicos.

“Já havíamos decidido reduzir nossos estoques por causa da covid, mas agora temos problemas para conseguir alguns produtos porque eles simplesmente não estão disponíveis”, explica Satyan Patel, gerente de uma mercearia no centro de Londres, cujas prateleiras estão parcialmente vazias.

“Na semana passada, fiquei sem Coca-Cola. Faz três semanas que não tenho garrafas grandes de água Evian”, diz.

“Sem mercadoria, não há comércio. Com as prateleiras vazias, ninguém vai entrar na loja”, lamenta.

O problema de abastecimento no Reino Unido já acontece há alguns meses. Não é uma questão exclusiva da ilha, pois a pandemia interrompeu a cadeia de abastecimento de vários locais, incluindo a indústria, mas a questão específica de dificultar a entrada de trabalhadores europeus no país ajudou a piorar a situação.

Há a falta, por exemplo, de cem mil caminhoneiros, fundamentais para o transporte de mercadorias.

“Como muitas empresas de varejo, estamos passando por algumas interrupções em nossas entregas (…) mas estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos fornecedores para repor os suprimentos rapidamente”, confirmou a rede cooperativa de supermercados Co-op, que também afirma estar contratando 3.000 funcionários temporários para trabalhar em seus armazéns e abastecer suas lojas.

De acordo com a principal organização de empregadores do Reino Unido, a Confederation of British Industry (CBI), os níveis de estoque no varejo e na distribuição caíram mais de 20% em agosto e agora estão em um nível excepcionalmente baixo.

“Levaria pelo menos 18 meses para treinar caminhoneiros suficientes” para acabar com os problemas de abastecimento, de acordo com a organização, que pediu ao governo de Boris Johnson para ser mais flexível em sua política de imigração nesse meio tempo.

Por sua vez, as transportadoras competem com bônus ou aumentos salariais para atrair ou reter caminhoneiros.

“Discutimos isso no escritório e achamos que esses bônus para os caminhoneiros vão aumentar os preços”, brinca Ryan Koningen, um gerente de projeto de 49 anos da City de Londres que reconhece ter visto escassez nas lojas, especialmente “de produtos de uso comum”.

Nas últimas semanas, a escassez atingiu empresas icônicas como McDonalds, os pubs Wetherspoon e, mais recentemente, Coca Cola e Ikea.

Usando esses exemplos, as empresas agora pressionam o governo a agir alertando sobre o risco de escassez de suprimentos para a próxima temporada de Natal.

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