Suécia e Finlândia sofrem pressão da Rússia por proximidades com a OTAN

Mais de duas semanas após a invasão russa na Ucrânia, a Rússia segue pressionando outros vizinhos, como Finlândia e Suécia, por causa do alinhamento de ambos os países com o Ocidente. No último século, a Suécia sempre foi um país neutro, não participando da II Guerra Mundial. Enquanto a Finlândia teve conflito com a União Soviética nos anos 40.

Suécia e Finlândia pertencem à União Europeia, mas não estão na OTAN, embora mantenham uma estreita cooperação militar entre as nações do tratado. Por causa disso, sofrem pressão de Moscou.

A primeira-ministra finlandesa, Sanna Marin, disse no sábado (5) que “a guerra da Rússia contra uma nação europeia soberana põe em perigo a ordem de segurança europeia”.

“Neste ambiente de segurança em mudança, a Finlândia e a Suécia continuarão a fortalecer sua cooperação”, acrescentou durante uma entrevista coletiva ao lado da primeira-ministra sueca Magdalena Andersson, informou a Reuters.

“A situação de segurança mudou drasticamente. Me reuni várias vezes na última semana com os líderes dos outros partidos suecos e estamos discutindo uma série de questões”, disse Andersson.

Desde os tempos da Guerra Fria, a Finlândia manteve equilíbrio entre a OTAN e Moscou. Mas após a situação na Ucrânia, o país e seu vizinho se tornaram mais abertos para conversar sobre a aliança.

“Agora estamos tendo esse debate na Finlândia”, disse Marin sobre a adesão à Otan. “Teremos essas discussões no parlamento, com o presidente, dentro do governo e entre os partidos”.

Dois anos atrás, 20% dos finlandeses desejavam entrar na OTAN, de acordo com uma pesquisa feita no país. No final de fevereiro, o número aumentou para 53%. Na Suécia, 51% dos entrevistados em outra pesquisa demonstraram o mesmo interesse.

Alerta da Rússia

“É óbvio que se a Finlândia e a Suécia entrarem na Otan, que é principalmente uma organização militar, teria sérias consequências militares e políticas que forçariam a Federação Russa a tomar medidas de retaliação”, disse em 25 de fevereiro, um dia depois da invasão, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

“Não podemos deixar de notar as tentativas persistentes da Otan e de alguns estados membros da aliança, especialmente os Estados Unidos da América, de atrair a Finlândia, assim como a Suécia, para a aliança”, acrescentou.

Na última terça-feira, quatro caças da Força Aérea russa – dois Sukhoi Su-27 e dois Su-24 – violaram o espaço aéreo sueco a leste da ilha de Gotland e foram interceptados por caças suecos Jas 39 Gripen.

“No quadro da situação atual, levamos o incidente muito a sério. É uma ação pouco profissional e irresponsável por parte da Rússia”, disse o chefe da Força Aérea sueca, Carl-Johan Edström.

Entrada da Suécia e da Finlândia na Otan

A Rússia baseou grande parte de seu argumento para justificar a invasão da Ucrânia em suas preocupações com a possibilidade do país ingressar na Otan, desejo de parte da população e de setores políticos após a independência da União Soviética em 1991.

A Geórgia, outra ex-república soviética que também busca a adesão à Otan, foi invadida pela Rússia em 2008.

Em contraste, a Estônia, Letônia e Lituânia, três outros ex-membros da URSS, fazem parte da Otan desde 2004, e a Aliança Atlântica mantém batalhões multinacionais implantados lá – assim como na Polônia.

Jens Stoltenberg, secretário-geral da Otan, disse em uma entrevista coletiva em janeiro que a atual proximidade entre a Suécia e a Finlândia e a organização era tal que a entrada seria “muito rápida se assim eles decidirem fazer”. “Mas no final das contas, será uma decisão política”.

E em outra coletiva realizada na sexta-feira, Stoltenberg disse que “em resposta à agressão da Rússia” eles decidiram fortalecer a coordenação e a troca de informações com a Finlândia e a Suécia.

“Ambos os países agora participam de todas as consultas da Otan sobre a crise”, disse ele.

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