Até o século XIX, as casas na Inglaterra pagavam impostos de acordo com o número de janelas do imóvel

O mundo viveu, desde seus primeiros dias até os atuais, diferentes sistemas de governos, com os mais variados impostos. Entre eles, impostos que hoje são observados com muita estranheza, como o imposto inglês sobre janelas, iniciado em 1696.

A Inglaterra cobrava o imposto dos imóveis baseado no número de janelas das residências. Imóveis que tivessem dez janelas ou menos deveriam pagar o imposto residencial de 2 xelins, a antiga moeda britânica. A partir de onze janelas, o proprietário teria que pagar um outro valor.

O argumento de tal lei é a de que os pobres viveriam em casas menores e com menos janelas. Assim, pagariam menos impostos, ao contrário dos ricos, que pagariam mais baseados em ter casas com mais janelas. O Parlamento Britânico chegou a explicar tal lei em seu site.

Mas, na prática, a lei não funcionava como deveria. Isso acontecia especialmente nas cidades, pois os mais pobres não moravam em casas individuais. Viviam em grandes construções, que abrigavam várias famílias. Assim, como os proprietários pagavam maiores impostos, o aluguel também era mais caro, pois o proprietário repassava o valor aos inquilinos.

Algumas pessoas, inclusive, chegavam a fechar as suas janelas com tábuas, enquanto novos prédios eram construídos com poucas aberturas, ocasionando problemas de ventilação. Para deixar tudo mais confuso, a lei não detalhava o que era de fato uma janela, o que rendia casas com pequenas aberturas nas paredes, para ventilar sem ser, de fato, uma janela.

Em 1766, o imposto “das janelas” diminuiu o número de janelas mínimas, passando de onze para sete janelas. Tal cobrança ocasionou casas com locais sem luz e ventilação adequada, o que, naquela época, deixavam-as mais sujeitas a doenças epidêmicas, como tifo, varíola e cólera.

O imposto, que sempre foi impopular na Inglaterra, contou com vários protestos e relatórios que apontavam os seus problemas. Mesmo assim, o imposto durou bastante tempo, sendo removido apenas em 1851, quando muitos estudos conseguiam comprovar os malefícios da falta de iluminação e ventilação nas residências.

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