Wikipédia desafia Rússia ao recusar apagar artigos sobre invasão russa na Ucrânia

A Wikimedia Foundation, proprietária da Wikipédia, entrou com recurso contra uma decisão do tribunal da Rússia. Os russos exigem que a fundação remova informações relacionadas à invasão da Ucrânia, iniciada em fevereiro deste ano. O recurso é resposta a uma multa imposta no final de abril pelo governo russo.

“Pedimos ao tribunal que reconsidere em favor dos direitos de todos ao acesso ao conhecimento e à liberdade de expressão” disse Stephen LaPorte, conselheiro-geral da Wikimedia Foundation, em um comunicado à imprensa. O executivo da empresa que está sediada na Califórnia argumentou que as pessoas tem o direito de conhecer os fatos da guerra.

O diretor da empresa sediada na Califórnia, Estados Unidos, também argumentou que as pessoas têm o direito de conhecer os fatos da guerra.

No final de abril, a Justiça da Rússia multou a Wikimedia em 88 mil dólares, afirmando que os conteúdos sobre a “operação militar” (como os russos tem chamado a sua invasão ao país vizinho), o que inclui evidências de supostos crimes de guerra russos, além do “massacre de Bucha”, representam um risco para a ordem pública do país.

Documentos oficiais comprovam evidências concretas de crimes de guerra cometidos por tropas russas, com militares russo já sendo condenados por tribunais ucranianos. Mas a Rússia continua negando que suas forças tenham cometido algum crime.

Moscou alega que os EUA e o Reino Unido estejam ajudando a Ucrânia a “forjarem alegações falsas de crimes de guerra no país”. O órgão regulador de comunicações de Moscou, Roskomnadzor, pediu a retirara de sete publicações da Wikipédia do ar, ameaçando bloquear o acesso ao site no país caso os artigos, sobre a invasão da Ucrânia, não fossem removidos.

Em entrevista, Jimmy Wales, fundador da Wikipédia, defendeu o uso de informações factuais de qualidade para combater a censura e criticou o que classifica como “regulamentações prematuras e inúteis” da internet. “É central para nossa missão a ideia de que o acesso à informação é um direito humano fundamental e que compartilhar informações factuais de qualidade é sempre algo muito importante”, disse.

Desde o início da invasão russa em território ucraniano, a imprensa russa é regida por uma política de censura. Os veículos locais estão proibidos de usarem expressões como “ataque”, “invasão” e “guerra” para se referir à guerra do país na Ucrânia. É comum, nos canais de TV do país, é comum ver apresentadores inflamados falando sobre como a Rússia poderia destruir países inteiros, como o Reino Unido, com armas nucleares.

A Wikipédia segue como uma das poucas fontes de informações extra-Kremlin sobre o conflito dentro da Rússia.

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