Ruanda aceita refugiados ilegais expulsos do Reino Unido

A Justiça do Reino Unido barrou recursos para travar o polêmico projeto de Boris Johnson, de enviar imigrantes ilegais para Ruanda com passagem só de ida. E nesta semana, o primeiro voo com oito refugiados expulsos, decolou com destino ao país africano.

Downing Street vende a ideia como uma forma de combater a chegada de imigrantes ilegais no país, em um esquema que coloca a vida de muitos em risco, ao tentar chegar ao país atravessando o Canal da Mancha de forma precária.

Ruanda receberá, pelo acordo, £ 120 milhões. E, além das altas cifras, o governo local busca ampliar sua imagem no exterior com a medida. O país africano viveu dias difíceis durante os anos 90, ao ponto de presenciar o massacre de 800 mil pessoas das minorias tutsi e hutus. A violência terminou em 2000 com a liderança de Paul Kagame.

Desde o final do genocídio, Ruanda recebe apoio financeiro internacional, e viu dias de crescimento econômico, na capital Kigali. O país também vê avanços sociais, como o fato de que metade do Parlamento é ocupada por mulheres. Ainda assim, Kagame é visto como um “ditador querido”.

Pois, apesar do crescimento econômico e social, ele é um dos muitos líderes africanos que alteraram a Constituição para permanecer no poder, em eleições questionáveis e sufocamento da oposição, o que inclui supostas execuções de rivais, com abusos de direitos humanos.

A aproximação com o Reino Unido pode ser uma forma do governo africano melhorar a sua imagem internacional. Ruanda, inclusive, recebe imigrantes há tempos. Em 2017, por exemplo, recebeu 30 mil imigrantes vindos da Líbia. Entre moradores do Congo e Burundi, já são mais de 130 mil refugiados.

E como se estivesse se antecipando às críticas, Boris descreveu Ruanda como “um dos países mais seguros do mundo, reconhecido internacionalmente pela recepção e integração de imigrantes”. Em 2021, porém, Londres instou autoridades a investigarem alegações de assassinatos extrajudiciais, supostos casos de tortura e desaparecimentos forçados.

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