Papa critica a brutalidade da Rússia contra o povo ucraniano, enquanto também afirma que guerra foi “provocada”

O papa Francisco se manifestou em relação a guerra da Rússia contra a Ucrânia, iniciada em fevereiro deste ano, com a invasão de tropas russas em território ucraniano. Para o líder da Igreja Católica, que também acumula o cargo de chefe de Estado no Vaticano, o conflito não é um embate “entre bons e maus”.

Em entrevista para revistas jesuítas da Europa no último mês, que foi publicada na revista italiana La Civilta Cattolica, o pontífice criticou a brutalidade russa, mas também disse que o conflito pode ser “fruto de provocação”.

“O que vemos é a brutalidade e a ferocidade com que esta guerra está sendo travada pelas tropas, geralmente mercenárias, utilizadas pelos russos. Os russos preferem enviar chechenos, sírios, mercenários”, lamentou Francisco, que fez diversos apelos de paz desde a invasão russa da Ucrânia em 24 de fevereiro.

“Mas o perigo é que só vemos isso, que é monstruoso, sem ver todo o drama que está acontecendo por trás desta guerra, que pode ter sido, de alguma maneira, provocada ou não impedida”, disse, antes de condenar a indústria das armas.

“Ao chegar neste ponto, alguns poderiam dizer: ‘Mas você é pró-Putin’. Não, não sou. Seria simplista e errado dizer tal coisa”, acrescentou o líder espiritual dos católicos, que considera necessário “raciocinar sobre as raízes e interesses” deste conflito, “que são muito complexos”.

“Também é verdade que os russos pensaram que tudo acabaria em uma semana. Mas eles cometeram um erro de cálculo. Encontraram um povo corajoso, um povo que luta para sobreviver e que tem um histórico de luta”, acrescentou o papa argentino de 85 anos.

Em 3 de maio, em uma entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Francisco falou que a “irritação” do Kremlin pode ter sido provocada pelos “latidos da Otan na porta da Rússia”.

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